Preconceito na Rússia e na Ucrânia [minha experiência]

 

Volta e meia aparece na mídia algum caso de homofobia ou crime de racismo na Rússia. Os casos de preconceito são diversos e na maioria das vezes acabam em tragédia.

Sejam os casos retratados de forma sensacionalista ou demonizados, é fato de que a Rússia é um país extremo. A população é em sua maioria conservadora, emocional e sutilmente agressiva. Não é uma população violenta, de um país com casos de crimes hediondos como o Brasil ou Estados Unidos, mas agressiva. Rude.

Neste post, quero falar um pouco mais da minha experiência com o racismo na Rússia e na Ucrânia, e tentar fazer um comparativo entre eles.

Uma nação fascista

Em 2012 estudantes africanos foram afastados e intimados por autoridades locais por suspeitas de que eles poderiam estuprar crianças em um acampamento de inverno na cidade de Orenburg, na fronteira com o Cazaquistão.

O reitor foi chamado para responder e recebeu um ultimato de que eles teriam que sair da cidade, de que não eram bem-vindos ali. O reitor, Oliêg Svíridov, repudiou a ação e disse que tal era um verdadeiro insulto, já que os estudantes estavam estudando na Universidade de Orenburg legalmente e a cidade era uma referência no país pelo multiculturalismo.

A Anistia Internacional já chegou a anunciar que o preconceito na Rússia é “fora de controle”. Aparentemente não existem chances de mudanças e criação de leis e punições severas para crimes de ódio, se depender do Governo Pútin.

ucrânia-nazismo

Ironicamente, ideais nazistas são muito apreciados pela população mais jovem.

Com o envolvimento da Rússia na Guerra da Síria, a tentativa de voltar a cena da política internacional como uma super potência e um crescente sentimento nacionalista das massas, medidas políticas que “se dobram” a ideais ocidentais , como respeito e direitos iguais às minorias LGBT e raciais ficam cada vez mais distantes.

Minhas primeiras interações sociais na Rússia

Eu fiquei no total 4 meses viajando pela Rússia e pela Ucrânia, mochilando. Eu estudei um pouco do alfabeto russo e aprendi frases prontas para me achar, e minha intenção com a viagem era conhecer um pouco do pessoal e praticar a língua. Cheguei primeiro em Moscou e visitaria outras cidades.

Na chegada do aeroporto, tudo correu muito bem. Muito bem mesmo, porque uma amiga estava me esperando para me buscar e eu tinha passado algumas horas meio tensas no Aeroporto de Paris, o Charles De Gaulle. Fui levemente hostilizado pelos franceses lá, e também no avião a caminho para Moscou.

Diferente do CDG, o Aeroporto Shirimiêtyevo foi uma bênção. Os funcionários falavam Inglês, havia placas em todos os lugares e o ambiente era limpo, em qualquer sentido que você imagine.

As funcionárias do aeroporto eram muito educadas. Com o passar dos dias, fui viajando pelas cidades e andando, passeando de forma tranquila e despreocupada pelas ruas de todas as cidades russas que conheci. No Brasil já me falaram que era perigoso falar com policiais e que os russos eram truculentos, então cheguei no país com essa imagem.

moscou

Meu cartão bloqueou na Rússia, e entrei em desespero. Tanto desespero que fui até a Embaixada do Brasil, para ver o que eu podia fazer. Um pouco confuso e atordoado pelo alfabeto diferente e as temperaturas abaixo dos 10 negativos, eu tinha um mapa físico de Moscou e lutava para me orientar. Até que um policial veio caminhando até minha direção. Não sabia se ficava ou saia apressadamente, mas resolvi ficar. Ele perguntou em russo:

– Precisa de ajuda?

Fiquei mudo, sem saber o que fazer e ele começou a sorrir. Então respondi meio gaguejando, com um russo travado:

– Preciso achar a Embaixada do Brasil. Acho que estou perto, mas não tenho certeza.

Ele prontamente pegou seu Iphone e me mostrou no Google Maps onde estávamos e falou muito devagar para que eu entendesse. Eu estava há 3 ruas de distância, e ele perguntou se eu era mesmo brasileiro. Respondi que sim e ele fez perguntas que eu classificaria como parte de um “Top 5”, tipo “Você mora na praia/Você joga futebol?”

Agradeci e fui para a Embaixada, não antes dele sair e me desejar uma boa viagem.

A Ucrânia é um país europeu, civilizado…

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“A Ucrânia não é um bordel.” via globalcomment.com

É uma frase meio estranha, né? Mas isso eu ouvia toda a hora, de todo mundo que encontrei na viagem de 2012. Tanto dos russos como dos ucranianos, dos brasileiros e de outros gringos pelo caminho. Então fui para Kiev cheio de expectativas.

Kiev era uma cidade cosmopolita, cheia de alegria, vida etc. Cheguei em Kiev pela manhã de trem, e as primeiras impressões foram boas. Um senhor me deu o celular dele para eu falar com a recepcionista do hostel, e lá no hostel fui recebido com sorrisos e uma voz animada (algo que me faz falta se eu não ver isso muito tempo). Porém, com o passar do tempo, falando com as pessoas na rua, tentando fazer amizade e visitando lugares não foi a cidade “europeia” e alegre que encontrei.

No meu segundo dia de Ucrânia, um grupo de adolescentes tentou roubar minha mochila, me cercando e gritando palavras xenofóbicas em russo.

Não precisa saber russo para saber o que eles estavam gritando.

Em outros momentos, quando ia fazer compras em certos mercados, as pessoas falavam em ucraniano e não em russo. Já era um trabalho eu me virar falando russo, imagina em ucraniano. No centro de Kiev, podia se escutar coisas como “mais um estrangeiro”, ou “de onde esse kebab veio?”.

Não me importei muito, até porque comecei a sair mais em grupos e conheci gente muito boa lá. Mas confesso que sonhava com uma Kiev liberal, alegre e aberta para o turista. O que encontrei foi uma grande cidade pequena, cheia de conservadores e racistas, e mulheres querendo dar o golpe em gringos babões, desesperados por sexo. Eu escolhi ir para Kiev, mas na época me arrependi por não ter ido pra Sibéria ou o Cáucaso Russo.

Conclusão. Se é que existe uma:

Certamente existe muito mais coisa para eu contar, mas essa foi uma tentativa de resumir minha estadia na Rússia e na Ucrânia, onde interagi mais com as pessoas. Existe uma grande “demonização” da Rússia ao meu ver. É o inimigo a ser combatido. Pútin é o grande inimigo da liberdade e direitos humanos. Pode ser verdade isso.

Mas lembre-se que para tudo existe uma resposta. O importante é se perguntar o “por quê?”

Lembre-se que a Rússia possui reservas imensas de petróleo e gás, e quer se tornar independente do sistema financeiro internacional eu aqui quase começando a falar sobre paranoia illuminati e reptilianas haha

Brincadeiras a parte, eu fui literalmente doutrinado a acreditar que na Rússia eu iria morrer ou me dar muito mal, e encontrei um povo amigável, inteligentíssimo e emotivo. Me falaram que na Ucrânia as pessoas eram simples e amigáveis, e o que encontrei foi uma galera bem racista e vira-lata.

  • Homens que sonhavam com os carrões e mansões do Ocidente, alimentados pela propaganda ilusória da “Guerra Fria”.
  • Mulheres que vendiam o corpo e o Estado Civil por um visto de 15 dias para a União Europeia.

Se existe uma conclusão nisso, foi de eu aprender com minha amiga Olga, ucraniana:

“É tudo uma questão de perspectiva. Nada se prova real até o lugar ser visitado e aí ter a experiência.”

Agora é a sua vez

Você já viajou e foi vítima de preconceito? Conte nos comentários sua experiência, como contornou a situação.

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